Google+ Followers

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Ramos

Rua Uranos - Ramos
Foto

Cacique de Ramos

Os primeiros “caciques” eram jovens de cerca de 20 anos. Alguns deles com nomes indígenas, como os irmãos Ubirajara – o Bira Presidente –, Ubirany e Ubiraci Félix do Nascimento. Daí surgiu o nome do bloco e a tradicional fantasia de índio. O samba já estava no sangue de todos eles. “Meu pai levava uma turma de bambas lá para casa, como Donga, Pixinguinha e Cartola. Nós também sempre íamos para a casa deles ouvir samba”, conta Bira. Outra herança familiar é a religião. A mãe dos três “caciques” foi filha de santo da Mãe Menininha do Gantois, e também católica. Por isso, o bloco tem São Sebastião como protetor e sempre faz uma missa no aniversário. As tamarineiras da quadra também têm seu quê de religiosidade. “Nossa mãe fez um trabalho nas árvores. Ela dizia que todos que pisarem ali, se tiverem valor espiritual, conseguirão ter sucesso”, diz Bira. Quem sabe da história organiza excursões para fazer pedidos às tamarineiras e aproveita para ouvir o samba, é claro.

Com tamanha herança, o primeiro sucesso do bloco veio logo, no carnaval de 1964. “Água na boca”, de Agildo Mendes, permitiu ao Cacique fazer frente ao Bafo da Onça. Depois disso, a rivalidade virou tradição. “Os dois blocos faziam letras para se provocar. A disputa era a melhor parte do carnaval, mas, no fim, você sempre via um índio abraçado com uma oncinha”, conta Ubirany. Vários sucessos se seguiram, como “Coisinha do pai”, de Almir Guineto, Luiz Carlos e Jorge Aragão, sucesso na voz de Beth Carvalho. Com eles, muitos artistas e grupos foram revelados, como Emílio Santiago, João Nogueira e o Fundo de Quintal, do qual fazem parte Bira e Ubirany.

“Na década de 1980, o Cacique era o epicentro de uma enorme rede de pagodes e casas de samba. Dali saíram vários músicos profissionais. Não tem como entender o movimento de pagode, que virou moda nessa época, sem entender a música do Cacique”, diz o antropólogo Carlos Alberto Messeder Pereira, autor de “Cacique de Ramos – Uma História que deu Samba”.

Fonte: Revista de História.




Ramos, zona norte da cidade do Rio de Janeiro, em 1957. A região do atual bairro de Ramos pertencia à Fazenda do Engenho da Pedra (depois Fazenda N.S. de Bonsucesso), dentro da Sesmaria de Inhaúma. Ainda no século XVII, foram pioneiras as Estradas Velha do Engenho da Pedra e a Estrada Nova do Engenho da Pedra (atual Av. Teixeira de Castro), que davam acesso à região. Existiam outros caminhos que se comunicavam com o litoral, onde chegavam no “Cais de Pedra”, uma enorme pedra junto a Praia do Apicú (atual Praia de Ramos). Em 1868, com a inauguração da Estrada de Ferro Leopoldina, o capitão José Fonseca Ramos exigiu a construção de uma estação de trem em sua fazenda, uma vez que a ferrovia cruzava as suas terras. Essa iniciativa, que pretendia dar maior comodidade à sua família e agregados, fez nascer um dos mais tradicionais bairros do Rio de Janeiro. A região ganhou um grande desenvolvimento quando foi urbanizada pelo engenheiro Joaquim Vieira Ferreira Sobrinho, que, por volta de 1910, fundou a Vila Gérson e a Escola Gérson. Até hoje, vários logradouros ainda tem o nome dos parentes deste engenheiro, como a Rua Miguel Vieira Ferreira (seu pai), Rua Gérson Ferreira (seu filho) e a Rua Ruth Ferreira (sua esposa). Já no século XX, Ramos foi um dos redutos da elite da chamada Zona da Leopoldina. O Social Ramos Clube era frequentado por moradores ilustres e os convites para os seus salões eram disputados. Entre as agremiações carnavalescas do bairro, destaca-se a escola de samba Imperatriz, oito vezes campeã no carnaval carioca. O Grêmio Recreativo Cacique de Ramos, fundado em 1961, tem sede em Olaria. O bairro ficou nacionalmente conhecido quando da inauguração do "Piscinão de Ramos" em 2001. Foto: Tibor Jablonsky - acervo: IBGE.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comentários