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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Armação de Búzios

ARMAÇÃO DE BÚZIOS & BRÁS DE PINA

Foto: Capela de Santana Búzios construída por Brás de Pina

O litoral da Armação de Búzios – principal área baleeira da capitania do Rio de Janeiro na segunda metade do século XVIII – percebemos exatamente as nuances geográficas descritas, coincidindo com o recorte do litoral do Recôncavo baiano, o que nos possibilita afirmar a regularidade na escolha dos locais para a instalação de armações baleeiras no Brasil colonial.

Nessas armações os pescadores construíam reservatórios de óleo, armazéns e oficinas.Como pano de fundo, em contraste com o cenário marítimo do entreposto baleeiro, a mata revestia um terreno, em nível superior, de onde se extraíam a madeira para construções de barcos e a lenha para as fornalhas em que se fundia, em enormes caldeiras, o toicinho das baleias para fazer o óleo.

Esses locais eram conhecidos como “engenhos”, pois se assemelhavam com os que processavam o açúcar e a mandioca neste período, sendo que menores em tamanho e importância econômica para o século XVII.

A praia da Armação de Búzios, que foi o local de instalação da armação baleeira e a praia dos Ossos, era o lugar onde as baleias eram arpoadas e se iniciava a separação da carne dos ossos das baleias.

Essa região ficou conhecida como “Armação dos Búzios” em virtude do desenvolvimento da pesca das baleias, principalmente a partir de meados do século XVIII, com o contratador Brás de Pina.

Sobre este assunto ler Márcio Werneck da Cunha, Búzios: Armação Histórica. Resumo dos Ensaios sobre Geografia, Pré-História e História do Município de Armação de Búzios. Brasília. Ministério da Cultura. 1997.

Na armação de Búzios ainda hoje existe a capela de Santana, construída em pedra e cal com argamassa de óleo de baleia, no ano de 1743 pelo negociante português Brás de Pina, em homenagem ao milagre operado pela santa, salvando do naufrágio um navio carregado de escravos, que pode, assim, ancorar em segurança na praia dos Ossos.

Por este motivo, Santana é reverenciada até hoje como padroeira de Armação dos Búzios. A Igreja era fundamental na vida cotidiana da Armação. Seu sino de ferro avisava sobre festas, emergências, funerais e o aparecimento de baleias. Ao sinal dado pelo vigia indicando a presença do mamífero, o padre tocava o sino e os baleeiros embarcavam içando as velas rumo à pesca.

É o monumento mais antigo da cidade. Informações extraídas do livro de Márcio Werneck da Cunha. Búzios: Armação Histórica.

As descrições acima se baseiam nos relatos de Ellis para o período de apogeu da pesca da baleia, nas décadas de 1730 a 1760.

Certamente, os primeiros contratadores da pesca da baleia do século XVII, utilizavam instalações bem mais modestas, mas essa descrição nos dá uma idéia da complexidade do sistema, mesmo em sua fase de implantação.

Fonte: A PESCA DA BALEIA NO BRASIL COLONIAL: Contratos e Contratadores do Rio de Janeiro no século XVII - 

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