Google+ Followers

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Cemitério dos Ingleses



Cemitério dos Ingleses, por Dunlop e Maria Graham

Pelo Tratado de Amizade e Comércio, assinado nesta cidade do Rio de Janeiro a 19 de fevereiro de 1810, “entre Mim, D. João, por graça de Deus, Príncipe Regente de Portugal e dos Algarves, daquém e dalém mar, em África Senhor da Guiné, da Conquista, Navegação e Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e da índia, etc. e o Sereníssimo e Potentíssimo Príncipe Jorge III, Rei do Reino Unido da Grande Bretanha e de Irlanda, Meu Bom Irmão e Primo”, naquele ato representado pelo “Muito Honrado Percy Clinton Sydney, Lord Visconde e Barão de Strangford, do Conselho de Sua dita Majestade, Seu Conselheiro Privado, Cavaleiro da Ordem Militar do Banho, Grã-Cruz da Torre e Espada, e Seu Enviado Extraordinário e Ministro Plenipotenciário nesta Corte” – tratado esse confirmado, aprovado e ratificado pela Carta da Lei de 26 do mesmo mês e ano – foi oficialmente permitido “o enterramento dos vassalos de Sua Majestade Britânica, que morressem nos territórios de Sua Alteza Real o Príncipe Regente de Portugal, em convenientes lugares, que seriam designados para este fim, não se perturbando, de modo algum, por qualquer motivo, os funerais ou as sepulturas dos mortos”.

Assim surgiu o “British Burial Ground”, geralmente conhecido pelo nome de Cemitério dos Ingleses. Situado na antiga praia da Gamboa (hoje Rua da Gamboa n.º 181), na encosta do morro do mesmo nome, é o cemitério mais velho da cidade. O lugar chamava-se, antigamente, “Forno da Cal”, e bem perto dali ficava o ponto de desembarque dos escravos procedentes de Angola. O campo santo dava frente para uma pequena enseada – o Saco da Gamboa – cujo nome se origina do fato de os pescadores fazerem ali gamboas ou aceiros para apanhar peixe. As águas dessa enseada tinham três a quatro pés de profundidade, fornecendo grande quantidade de conchas, que eram recolhidas, a fim de serem transformadas em cal. Daí a denominação “Forno da Cal”. O cemitério ocupa a antiga chácara que o Príncipe Regente D. João (depois D. João VI) havia mandado comprar por Aviso de 24 de dezembro de 1808 aos herdeiros de Simão Martins de Castro, pela quantia de 1:600$000, passando-se a escritura e se incorporando aos bens da Coroa, no dia 2 de janeiro do ano seguinte.

Assinado o Tratado de Amizade, D. João cedeu esse terreno para repouso eterno dos membros da Igreja Anglicana. Maria Graham, no seu “Diário de uma viagem ao Brasil”, assim descreve a visita que fez a esse campo santo, no dia 29 de setembro de 1823: “Fui hoje a cavalo ao cemitério protestante, na praia da Gamboa, que julgo um dos lugares mais deliciosos que jamais contemplei, dominando lindo panorama, em todas as direções. Inclina-se gradualmente para a estrada, ao longo da praia. No ponto mais alto há um belo edifício constituído por três peças: uma serve de lugar de reunião ou, às vezes, de espera para o pastor; uma de depósito para a decoração fúnebre do túmulo; e a maior, que fica entre os dois, é geralmente ocupada pelo corpo durante as poucas horas (pode ser um dia e uma noite), que neste clima podem decorrer entre a morte e o enterro. Em frente do edifício ficam as várias sepulturas e os vãos monumentos que erguemos para relevar nossa própria tristeza. Entre estes e a estrada, algumas árvores magníficas”.

O primeiro enterramento oficial, constante dos registros do “British Burial Ground”, data de 15 de janeiro de 1811.

Artista: Carlos Augusto; Fonte: Rememoarte
Ano da gravura: 1823.(reconstrução)

https://www.facebook.com/EspecialRioAntigo
 — comCemitério dos Ingleses.

Um comentário:

  1. O cemitério continua ativo, mantido pela comunidade Britânica no Rio. Continua bonito, com arvores e arbustos com flores. A maior diferença, comparando com a bela gravura, é que hoje a vizinhança é o Morro da Providência, a primeira favela do Rio.

    ResponderExcluir

Comentários