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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Escravidão

'A Maior Revolta do Vale do Paraíba: Manoel Congo e a luta pela liberdade!''

Revoltado com o assassinato à pauladas de 5 companheiros e a ocultação dos cadáveres, por seu Senhor Manoel Xavier, Manoel Congo liderou uma das mais importantes revoltas contras o regime escravocrata no Vale do Café, região de elevado valor econômico e político do século XIX.
À meia noite de 5 de Novembro de 1838, ouviram-se as portas da senzala sendo arrombadas. Sob a liderança de Manoel Congo, Pedro Dias, Vicente Moçambique, Antônio Magro e Justino Benguela. Os negros invadiram as senzalas à procura de companheiros e suas esposas, entre elas Mariana Crioula, companheira de Manoel Congo.
Organizaram-se então e fundaram o quilombo de Santa Catarina, na Serra da Estrela, onde elegeram Manoel Congo como Rei e Mariana sua Rainha. Boatos surgiam que eles pudessem descer a serra até Inhomirim e saquear a Fábrica de Pólvora, pondo em risco todo o Império
Enfurecidos com a "audácia" dos negros a força Militar interviu, reunindo uma força de mais de 160 homens a mando de Duque de Caxias. "Caxias era o tipo escarrado do herói" diz Eduardo Sciscínio, "matou escravos como ele só. Voltou glorioso apanhando admiração que eram até imorais. As moças jogavam-lhe olhares, os rapazes batiam palmas, os velhos matavam leitoas em honra dele". Além de vários capatazes dos 33 ranchos que ficaram vazios.
Relatara no autos da época que a negra Mariana, de 30 anos estava a frente dos revoltosos, resistindo ao cerco da polícia sob os gritos de "Morrer Sim, entregar não!".Ali foram presos, Manoel Congo, Justino Benguela, Antônio Magro, Pedro Dias, Belarmino, Miguel Crioulo, Canuto Moçambique e Afonso Angola e as negras Marianna Crioula, Rita Crioula, Lourença Crioula, Joanna Mofumbe, Josefa Angola e Emília Conga
Em 22 de Janeiro de 1839, Igreja da Matriz os acusados foram julgados e condenados a 650 chiatadas e 3 anos de gargalheira, todas as mulheres foram inocentadas. Manuel Congo acusado de ser o líder do bando, foi o único a ser condenado a Forca e a "morte para sempre", sem direito a sepultamento, pois queriam que sua morte seria um exemplo para que não acontecessem mais revoltas.
Manoel Congo, Manoel devido ao nome de seu dono, e Congo por ser seu País de origem  foi morto no dia 4 de setembro de 1839, 49 anos antes da Assinatura da Lei Áurea.




Ex escravos ocupando o Morro da Providência. Fonte: Sempre se faz história. Não tinha a violência produzida por marginais da lei,mas tinha a violência produzida pelas próprias autoridades da época,proprietários de fazendas,etc...ou seja:Discriminação racial,escravidão,tortura,mortes,estupro,separação de famílias de escravos,etc...


Ruínas da Fazenda Nossa Senhora da Conceição de Pavuna.

O único resquício de um patrimônio destruído é um símbolo do sofrimento. Uma preciosidade guardada nos arquivos do pesquisador Ronaldo Morais é o conjunto de fotos da Fazenda de Nossa Senhora da Conceição, na Pavuna, subúrbio do Rio de Janeiro. As fotos foram tiradas em 1983, dois anos antes da demolição da sede da fazenda pelo governo do Estado, que, como se vê, ainda permanecia em bom estado de conservação. Além das imagens da sede da fazenda e da capela, o que chamou bastante a atenção foi a existência de uma picota, um instrumento de tortura dos escravos, que substituía o pelourinho dentro do chamado “sistema oficial de repressão”, e que permanece também em bom estado, fazendo parte hoje da Reserva Arqueológica da prefeitura do Rio, que infelizmente não foi criada antes da destruição da fazenda.

Os pelourinhos ficavam na área central das vilas e cidades, exatamente para que o castigo fosse visto por todos. O principal pelourinho do Rio ficou instalado a maior parte do tempo onde hoje é a Praça XV de Novembro, em frente ao Paço Imperial, sede do poder durante muito tempo, embora com outros nomes (Palácio dos Governadores, Palácio dos Vice-Reis...). Como não dava para instalar pelourinhos em todos os lugares, era permitida a existência de troncos do tipo picotas em fazendas e áreas afastadas do centro do poder, principalmente nas freguesias rurais.

A picota da fazenda de Nossa Senhora da Conceição foi a única encontrada por arqueólogos até hoje na cidade do Rio de Janeiro. Construída no século XVIII, a fazenda foi grande produtora de cana de açúcar e, mais tarde, de café, além de diversos outros gêneros. No século XIX, pertenceu ao comendador Tavares Guerra, amigo de D. Pedro II e que hospedava a família imperial em suas passagens pela região. O núcleo urbano do atual bairro da Pavuna foi formado a partir do desmembramento das terras da fazenda, nas décadas de 40 e 50 do século XX. A região abrigou grande quantidade de engenhos e fazendas durante muito tempo.

A picota foi descoberta em 1999, junto com pedaços de cerâmica e outros apetrechos da época da fazenda, por arqueólogos da subprefeitura da região e do Patrimônio Cultural do município, e provavelmente ficava numa entrada da fazenda destinada aos escravos, para que a ameaça de punição estivesse sempre presente à vista de todos. Em julho de 2002, a área onde ela foi encontrada, na esquina das ruas Sargento Wilson Ramos com Herculano Pinheiro, foi transformada no Sítio Arqueológico Nossa Senhora da Conceição, e a ideia é transformar o local em um sítio-museu, aberto à visitação pública. Fica a pergunta: para que destruir um prédio que ainda estava em bom estado de conservação e hoje poderia abrigar, por exemplo, uma repartição pública, mantendo o patrimônio histórico? Mas, pensando bem, se a casa de Machado de Assis, o Palácio Monroe, a Escola de Belas Artes (onde hoje é um estacionamento na esquina com a avenida Passos, no centro do Rio) e tantos outros monumentos foram destruídos (e continuam a ser, vide a Transcarioca), não dá para se espantar. Pelo menos a Fazenda do Capão do Bispo, outro patrimônio importante, ainda existe, no bairro de Del Castilho, mas já está merecendo uma reforma e uma atenção das autoridades há muito tempo, embora seja raríssimo que o subúrbio entre em listas de prioridades.

OBS: Ronaldo Morais é médico aposentado e pesquisa a História do Rio de Janeiro há pelo menos 30 anos. Durante um bom tempo, principalmente nos anos 80, ele e alguns amigos sacaram de suas máquinas fotográficas e percorreram toda a cidade e alguns municípios da região metropolitana para registrar (a maior parte em preto e branco) tudo o que considerassem relevante do ponto de vista da memória e do patrimônio histórico, não apenas monumentos de bela arquitetura e valor histórico já definidos, mas também casas humildes, estabelecimentos comerciais, vilas operárias, estações ferroviárias e outras construções. O resultado recebeu o nome de "Fragmentos do Rio Antigo" e o mais importante é que muito do que foi registrado já foi demolido ou sofreu profundas alterações.

2 comentários:

  1. Boa noite ,Marcelo Henrique.Me interessei muito pelo seu artigo,mas não consegui visualizar as fotos da Fazenda Nossa Sra.da Conceição.Será que você poderia enviá-las para mim?E parabéns pelo excelente trabalho de recuperação de nossa memória.Gardenia Lago

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  2. Boa noite ,Marcelo Henrique.Me interessei muito pelo seu artigo,mas não consegui visualizar as fotos da Fazenda Nossa Sra.da Conceição.Será que você poderia enviá-las para mim?E parabéns pelo excelente trabalho de recuperação de nossa memória.Gardenia Lago

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