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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Passeio





Passeio Público

O projeto de Mestre Valentim:
Inspirado no Passeio Público de Lisboa, inaugurado na década de 1760, e na construção dos jardins do Palácio Real de Queluz, cuja primeira etapa estaria concluída em 1786, o Vice-Rei do Estado do Brasil, Luís de Vasconcelos e Sousa, entre 1779 e 1783, incumbiu o escultor e arquiteto Valentim da Fonseca e Silva ("Mestre Valentim") de construir um parque para a cidade, então a capital do Brasil colônia.
O lugar escolhido para o novo parque foi uma das extremidades da cidade, junto ao mar, na lagoa do Boqueirão da Ajuda (atual largo da Lapa). Segundo fontes da época, por volta de 1760 a lagoa já estava bastante suja, constituindo-se em foco de doenças que se espalhavam pela cidade. Visando ao saneamento da área, promoveu-se o aterramento da mesma, utilizando-se, para esse fim, o material oriundo do desmonte do antigo morro das Mangueiras.

A reforma de Glaziou:
O desenho original do parque foi alterado em uma reforma promovida em 1864, a pedido do imperador Pedro II do Brasil, pelo paisagista francês Auguste François Marie Glaziou. Embora tendo conservado elementos arquitetônicos e artísticos originais, a repartição dos jardins foi alterada, adotando-se aléias curvas e sinuosas, lagos e pontes, tão a gosto do paisagismo romântico. O resultado foi um jardim ao estilo inglês, imitando um bosque natural. Nele, se destacam a construção de um grande lago sinuoso, estreito e de outro, menor, redondo, com um chafariz central. Atualmente, apenas o primeiro pode ser contemplado. Do segundo, aterrado, apenas podemos ter uma noção de suas dimensões através de marcas, no solo, próximo ao Portão Principal do parque.

Do século XX à reforma de 2004:
Entre as inúmeras obras realizadas pelo prefeito Pereira Passos (1902-1906) na cidade do Rio de Janeiro, encontra-se a construção de um aquário público no Passeio Público. Inaugurado em 1904, o aquário possuía vinte tanques de vidro, destinados à exposição de exemplares de diversas espécies de peixes de água salgada. Conforme o seu idealizador e responsável, o naturalista Alípio de Miranda Ribeiro, o objetivo era o de dar aos visitantes uma noção da vida marinha nas águas da baía da Guanabara. Posteriormente, durante a gestão do prefeito Henrique Dodsworth (1937-1945), tendo sido promovidos alguns ajustes no Passeio Público, considerados necessários à retomada das características originais do parque, esta instalação foi demolida.
No ano de 2004, teve lugar uma ampla reforma, coordenada por uma equipe multidisciplinar de técnicos da Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro (Fundação Parques e Jardins) e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Sexta Superintendência Regional), visando a devolver, ao parque, o traçado de Auguste Glaziou, ao custo de 1 800 000 reais. Além da intervenção paisagística, os trabalhos incluíram intervenções estruturais como a implantação de um sistema de drenagem, uma nova iluminação, a recuperação e restauração de monumentos e o desenvolvimento de pesquisa histórico-arqueológica que permitiu a identificação e localização de estruturas que fizeram parte da história do parque e da cidade do Rio de Janeiro.

A Lenda:
O folclorista Luís da Câmara Cascudo, em seu livro "Contos Tradicionais do Brasil", relata uma versão diferente para a construção do Passeio Público.
Segundo a tradição popular, Vasconcelos e Sousa teria se apaixonado por uma jovem chamada Susana, que morava num casebre à beira da lagoa. Vicente Peres, noivo de Susana, descobriu que ela se encontrava com o vice-rei e queixou-se. A jovem, porém, defendeu o seu admirador, garantindo que ele sempre a respeitara.
Vasconcelos e Sousa, então, teria nomeado Vicente para um cargo público, assumindo a posição de protetor do casal. Foi padrinho do casamento e, em homenagem a Susana, mandou construir a Fonte dos Amores.
Na fonte, Valentim esculpiu dois jacarés, representando a si mesmo e ao vice-rei; e três garças, simbolizando o casal e a avó de Susana. A história foi levada à Passarela do Samba pela Portela no carnaval de 1988, com o enredo "Lenda carioca: os sonhos do vice-rei". O samba-enredo foi composto por Nenem, Mauro Silva, Isaac, Luizinho e Carlinhos Madureira. A escola ficou em quinto lugar.

Artista: Alfred Martinet; Ano: 1847
Dados: Wikipedia e armazéns de dados

Bibliografia: SANTUCCI, Jane. Os pavilhões do Passeio Público - Theatro Casino e Casino Beira-Mar. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2005. 175p.



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