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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Vestígios do Rio Antigo





Bica da Rainha, por Magalhães Corrêa

Na encosta do morro de Dona Martha, antigamente, à margem direita do Rio Carioca e atualmente (1935),Na Rua das Laranjeiras, havia uma fonte de águas férreas, denominação que tomou o lugar; dela existe uma reprodução litográfica que veio até nós, único documento da época.

Era esse lugar o preferido pela elite carioca, para passeios, quer em cadeirinhas, ou a cavalo. Assim, a rainha Dona Maria I, quando saía a passeio, freqüentemente aí aparecia em companhia de suas damas da corte, daí provindo a frase repetida pelo povo: “Maria vai com as outras”, em virtude de ser ela louca. E esse dito ficou até hoje com a significação para aquelas que não se sabem governar.

E o povo acostumou-se tanto com a rainha Maria I, que denominou a fonte das águas férreas de Bica da Rainha, e, por seu falecimento em 1815, continuou como lugar predileto de Carlota Joaquina, esposa de Dom João VI, que costumava ir aí refrescar os ardores do seu temperamento.


Antiga Fábrica de Gás, por Dunlop.

A Antiga fábrica de gás foi construída pelo Barão de Mauá, há dois séculos atrás. Situada no caminho do Aterrado (depois Rua Senador Euzébio, hoje Avenida Presidente Vargas n.º 2610), entre as travessas São João e do Porto (atuais ruas Carmo Neto e Comandante Mauriti), ocupava uma área de 22.012 metros quadrados.

No corpo central do edifício ficavam os escritórios, a oficina de modeladores, o depósito de metros, e aparelhos para exame dos registros do combustível, o laboratório e a câmara escura onde se media a força do gás iluminativo por meio de fotômetros do químico alemão Bunsen. Um dos corpos laterais compreendia sete casas com quintais, habitadas pelos funcionários graduados do estabelecimento, que dispunham, para seu conforto e recreação, de biblioteca com sala de leitura, botica bem provida, tanques para banho e um espaçoso jardim. O outro corpo lateral do edifício era ocupado pelos aparelhos purificadores do gás. Os acendedores de lampiões residiam em comum em um vasto salão, ocupando outro de igual extensão os escravos da empresa.

Na parte superior da fachada do corpo central do edifício lia-se a seguinte inscrição latina: “Ex-fumo dare lucem” (Do fumo, a luz). À noite, o estabelecimento era vigiado por guardas postados em guaritas.

Os acendedores e foguistas vestiam uniforme, que constava de calça branca ou azul, blusão azul com colarinho à marinheiro e chapéu de couro envernizado com o rótulo “Fábrica do Gás”.

No pátio interno, estacionavam três bombas para apagar incêndio, as quais estavam sempre prontas, havendo três depósitos d’água constantemente cheios, por ser deficiente a água dos chafarizes vizinhos para alimentar essas bombas por mais de 10 minutos. Todos os empregados que residiam na fábrica eram obrigados a trabalhar com as bombas, havendo exercício aos sábados, o que não somente os tornava peritos e adestrados no serviço, senão fazia reconhecer o estado normal dos aparelhos para extinção do fogo. Eram multados os empregados remissos e examinados diariamente os depósitos e registros d’água.
A Fábrica do Aterrado foi um dos estabelecimentos mais importantes da Capital do Império, muito superior às de várias cidades da Europa e pouco inferior às maiores fábricas de gás do mundo.

Em 1870, assim se expressava o Inspetor da Iluminação: “A cidade do Rio de Janeiro se ilumina por meio do gás vai para dezoito anos e, sem dúvida, a este importante melhoramento tinha direito a maior cidade da América Meridional. A substituição da iluminação a azeite de baleia por gás foi, pois, um fato natural e necessário, à vista da importância desta Capital, podendo-se apenas estranhar que houvesse tardado a realizar-se. É boa, incontestavelmente, a iluminação do Rio de Janeiro e muitos viajantes a consideram como uma das melhores do mundo”.

O “Gás Velho”, como é hoje conhecido o vetusto edifício, recebeu duas vezes a honrosa visita do Imperador Dom Pedro II: em 22 de janeiro de 1856, pouco depois da inauguração da iluminação a gás do Rio de Janeiro, e no dia 13 de setembro de 1886, duas semanas após ter esse serviço passado da antiga “Rio de Janeiro Gas Company Ltd.” para a “Société Anonyme du Gaz”.

A gravura de P. G. Bertichem é de 1856, anterior, portanto, à construção do Canal do Mangue, cujas obras tiveram início em 21 de janeiro de 1857,e posterior ao relógio de quatro faces instalado em 1855 no torreão do edifício. Este relógio, após o incêndio na noite de 6 de abril de 1889, foi substituído pelo que ainda hoje lá se encontra, marcando triste e carinhosamente as horas para os habitantes desta cidade.

Nome do artista: Pieter Gottfried Bertichem.
Ano da Gravura:1856. Fonte: Rememoarte
Endereço: Av. Presidente Vargas, 2.610.



pão do Bispo é uma das mais antigas propriedades rurais do Estado do Rio de Janeiro e sua casa, sede da fazenda, é o que sobrou da sesmaria doada por Estácio de Sá aos Jesuítas e a concessão, confirmada pela Corte de Lisboa em 10 de julho de 1565. Abrangia as freguesias de Inhaúma, Engenho Velho, Engenho Novo e São Cristóvão.

Com uma área de duas léguas de testada e duas de fundo (13.200 m X 13.200 m) começava no Vale do Catumbi, junto ao Rio dos Coqueiros, antigamente chamado Iguassu e hoje Rio Comprido, servia como divisa natural desde a nascente até desaguar no mangue da Cidade Nova, seguindo pelo litoral, atravessando a bica dos Marinheiro, São Cristóvão e Benfica até a Tapera de Inhaúma, rumo noroeste para o sertão, rumo sudoeste nas áreas férteis e saudáveis dos terrenos do Engenho Velho, Andaraí e Engenho Novo entre outros.

Em 1684 o Padre Custódio Coelho era o responsável pela freguesia de Inhaúma, que a passou para o Vigário Geral Clemente Martins de Mattos. A área era limitada pelos morros do Pedregulho e do Telégrafo ao sul. Pela Serra da Misericórdia e litoral do canal de Benfica, os atuais bairros do Engenho Novo, Méier e Inhaúma, ao norte.


A fazenda ficava na planície suburbana com diversos vales ligeiramente acidentados por baixas colinas, próximos ao Rio Jacaré, Faria e Timbó, foi confiscada dos Jesuítas em 1759 e passaram à Coroa e leiloada a partir de 1761, quando um dos compradores foi o Bispo D. José Joaquim Justiniano Mascarenhas de Castelo Branco, onde ergueu a casa grande da fazenda num capão (porção de mato isolado no meio do campo) sobre um outeiro de 20 m de altura. Depois uniu-se a fazenda de Sant’ana, um engenho que pertencera a Brás de Pina , segundo Pizarro.

O Bispo morreu em 28 de janeiro de 1805 quando a propriedade passou ao seu sobrinho Jacinto Mascarenhas Furtado de Mendonça. De 1862 a 1868 a casa grande foi aforada por escritura a Joaquim José Palhares Malafaia e a Domingos José de Abreu. Em 1914 vendida a Francisca Carolina de Mendonça Ziéze e depois a Joaquim Alves Maurício de Oliveira, dono até 1929, passando à Clara Ziéze de Oliveira.

Há 18 de setembro de 1937 passou para Simão Daim e em 1947 estava em nome de Jacob Armin Frey. Esses levantamentos foram feitos por Noronha Santos.

Em 30 de agosto de 1947 foi tombada pelo IPHAN, com Florentino M. Guimarães responsável pelo canteiro de obras e coordenando o levantamento arquitetônico. Desapropriada em 1961 passando ao governo do Estado da Guanabara, sendo a emissão de posse dada em 1969. Nas décadas de 50 e 60 foi invadida por 30 famílias que fizeram do patrimônio histórico, uma cabeça-de-porco chegando a estar ameaçada de desabar. (JB, Domingo, 16/01/66- primeiro caderno). Edgard Jacinto da Silva, arquiteto do IPHAN fez um trabalho de restauração na sede que durou dois anos, de 1973 até 1975, custando NCr$ 195.000,00 e instalado um Museu Rural e Centro de Estudos Arqueológicos.

Esta construção é a que tem na antiga Suburbana, próximo ao NorteShopping no lado direito de quem caminha na direção de Madureira

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