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quarta-feira, 15 de maio de 2013

Igreja da Penha



Podemos perceber a história dos bairros da Leopoldina através de vários vieses, sendo assim; cada um desperta dentro de si o modo mais prazeroso de aprender, facilitando a compreensão das metamofoses que ocorreram nas trajetórias bairristas.
Comecei a ler a história de alguns bairros da Leopoldina, no site www.museudapessoa.net/, e selecionei a Penha como meta de minha investigação. Tive a curiosidade de, no decorrer da leitura, tentar identificar algumas transformações que modificaram as características rurais do bairro, promovendo a sua urbanização. São alguns fatos marcantes que merecem análises minuciosas dos pesquisadores, mas nesse artigo, limito-me apenas a citá-los, e quem sabe, e quem sabe aguçar a curiosidade de alguns leitores.
1635- Vale conferir, por exemplo, a origem do nome do bairro. O Coronel baltazar manda construir uma ermida em cima de um penhasco-dentro de suas terras- em agradecimento á Virgem Maria por salva-la de uma serpente. O diminutivo de penhasco, com o tempo, tornou-se popular e deu nome ao bairro da Penha.
1728- Mais um episódio a ser investigado é a criação da irmandade de N.S. Da Penha wm 1728, pois a ermida estava tornando-se uma igreja e o grande número de romeiros precisavam ser atendidos.
1870- A igreja de N.S. Da Penha só ficou pronta nessa data, mas no início do século XX, entre 1903 e 1906, passou por uma reforma, ganhou novas torres e a escadaria foi redimensionada. Seria gratificante o estudo do antes e depois da reforma, verificando-se o que foi ou não modificado, comparando-se o traçado da arquitetura. Para os que quizerem se aventurar, aqui vai uma dica: O arquiteto responsável pela reforma foi o português Luis Morais Junior, que também participou do projeto de Manguinhos.
1879- Esse é o ano da chegada do vigário do outeiro, padre Ricardo. O Padre era abolicionista e dono de uma chácara que ficou conhecida como Quilombo da Penha, por que ali se abrigaram muitos escravos fugidos. Vale apenas conferir a trajetória do padre Ricardo, pois foi quem mandou abrir várias ruas ao redor da igreja, inclusive a rua dos Romeiros, com o objetivo de facilitar o acesso da população á festa.
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1902 à 1906- A administração do Prefeito Pereira Passostambém contribuiu para a popularização da festa da Penha. A dica que se segue refere-se a construção de uma ponte para as barcas no antigo porto de Mariangu, facilitando a ligação com o cais da Praça XV de Novembro, de onde vinham muitos fiéis para as comemorações da Virgem.
Um outro ponto importante a ser investigado é a característica inicial da festa da Penha, que não eram apenas de caráter religioso, pois na sua gênese, os portugueses menos abastados, aproveitavam para demonstrar suas atividades culturais lusas; como as danças e os cantos; e as manifestações culturais dos ex-escravos vindos da Bahia nos primeiros anos da República. Nessa miscigenação de culturas os objetos investigados são diversos e, os instrumentos musicais que são tocados durante as festas e as comidas típicas são mais uma opção para os pesquisadores mais atentos, pois há nesse espaço,uma suposta rivalidade entre os portugueses e os negros vindos da Bahia, que merecem toda atenção.
Assim, o olhar do pesquisador deve estar atento quanto as especificidades apresentadas em cada episódio que se descortina. Dessa maneira a investigação é prazerosa, é como pintar um quadro, nenhum é igual ao outro, e assim deve ser o historiador que, partindo das informações específicas, consegue o deleite do ineditismo; consegue transformar seu objeto de pesquisa numa linda obra de arte.
Marcelo Claudino Henrique

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