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terça-feira, 28 de maio de 2013

Porto Maravilha-Projeto



O Porto Maravilha mudará totalmente o conceito de mobilidade urbana na Região Portuária. O novo sistema privilegia o transporte público coletivo, valoriza a ideia de morar perto do trabalho, cria mais espaços para pedestres, implanta 17 km em ciclovias, contempla recursos de acessibilidade e integra os sistemas meios de locomoção na área. Entenda o que vai mudar na série de reportagens especiais Mobilidade Urbana.

CONSÓRCIO VLT CARIOCA VENCE LICITAÇÃO

A licitação para construção e operação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) da Região Portuária e do Centro foi vencida pelo consórcio VLT Carioca, na última sexta-feira, dia 26 de maio. O critério para a seleção da empresa que vai implantar e operar o novo serviço de transporte público da cidade foi o de menor valor de contrapartida a ser pago pelo município.
Formado pelas empresas Actua - CCR, Invepar, OTP - Odebrecht Transportes, Riopar, RATP e Benito Roggio Transporte, o grupo vencedor apresentou proposta com oferta de R$ 5.959.364,27 mensais pagos pela prefeitura durante 25 anos de contrato - valor 1,35% abaixo do teto de R$ 6.040.916,67 estimado pelo edital. O pagamento da contraprestação mensal pela prefeitura só se dará após o término da obra e início da operação, o que deve ocorrer no prazo de dois anos e meio aproximadamente.
O VLT que circulará pela cidade do Rio de Janeiro até 2016 ligará os bairros da Região Portuária ao centro financeiro e ao Aeroporto Santos Dumont, passando pelas imediações da Rodoviária Novo Rio, Praça Mauá, Avenida Rio Branco, Cinelândia, Central do Brasil, Praça 15 e Santo Cristo. A integração com outros meios de transportes (metrô, trens, barcas, BRT, redes de ônibus convencionais, teleférico e aeroporto) vai melhorar o trânsito da região central, reduzindo o fluxo de veículos.
- O Centro ficou muito tempo abandonado, sem receber investimentos. Estamos buscando revitalizar espaços públicos com prioridade para transportes de alta capacidade, com a implantação de VLTs integrando os modais da cidade. Queremos que o Centro tenha transportes de alta capacidade e de muita qualidade, como acontece em outros centros metropolitanos do mundo - explicou o prefeito Eduardo Paes.
O Veículo Leve sobre Trilhos é um dos mais modernos meios de transporte do mundo, utilizado com sucesso em cidades como Barcelona, Berlim e Paris. Os trens não têm fios superiores em rede aérea e são movidos por energia embarcada. Há diversas tecnologias para o abastecimento energético, mas essa será a primeira vez em que serão combinadas em um sistema.
O projeto prevê seis linhas de "bondes modernos" que circularão no Centro e na Região Portuária, com 28 quilômetros de trilhos, 38 paradas e 4 estações. As composições serão refrigeradas e poderão transportar até 450 passageiros. Com velocidade média de 15 a 40 km por hora, o novo veículo levará de 10 até 30 mil passageiros por sentido e por hora, num tempo máximo de espera entre um trem e outro variando de 2,5 a 10 minutos, de acordo com a linha.
O VLT traz um conceito diferenciado, com um sistema limpo, eficiente e silencioso, evitando impactos negativos para a população e otimizando a circulação excessiva de linhas de ônibus pela área. Não haverá roletas ou catracas, nem trocador, e o bilhete será comprado no ponto de venda ou os usuários poderão utilizar o Bilhete Único Carioca pelo sistema de validação da passagem. O projeto contempla acessibilidade aos portadores de deficiência em todos os vagões.
As ruas da Região Portuária já começaram a ser preparadas para receber o novo tipo de transporte. Dentro do novo sistema de tráfego da Região Portuária está a construção da Via Expressa que, somada à criação de novas ruas e avenidas, permitirá a demolição total do Elevado da Perimetral.
O trânsito que circula hoje pela Perimetral e pela Avenida Rodrigues Alves passará à nova Via Binário do Porto - que terá 3,5 km de extensão e cruzará toda a Região Portuária com três pistas em cada sentido e dois túneis - e à Rodrigues Alves, que será transformada em uma via expressa com pouco mais de 5 km. Além dessas vias, a mobilidade será complementada com a rede de VLT, o sistema de BRTs e as ciclovias, que vão integrar de forma capilar a malha viária.
A prefeitura planeja ainda a construção de dois bulevares: um onde hoje é a Avenida Rodrigues Alves - da Praça Mauá ao Armazém 8 - e outro na Avenida Rio Branco. Esses locais serão transformados em um enorme passeio público, com prioridade para o pedestre e para o sistema de VLT com o objetivo de melhorar as condições ambientais na cidade e foco na sustentabilidade.
- Nossa ideia é criar um sistema sem o trânsito caótico de hoje e ambientalmente melhor. O projeto que estamos licitando representa mais rapidez, menos custo e redução da poluição do ambiente, tanto sonora como do ar. Ao projetá-lo para a região, pensamos na demanda futura. Prevemos o adensamento da Região Portuária, com a instalação de novos empreendimentos comerciais e residenciais. Em 2030, a previsão é de que vivam ali mais de 120 mil pessoas, enquanto hoje temos 32 mil - disse Alberto Gomes Silva, presidente da Cdurp.
VLT ligará Região Portuária ao Centro da cidade
Confira os trajetos das seis linhas do VLT
Linha 1: Rodoviária, Cordeiro de Graça, Pereira Reis, Santo Cristo, Cidade do Samba 1, Silvino Montenegro, Rodrigues Alves, Praça Mauá, São Bento, Candelária, Buenos Aires, Sete de Setembro, Rio Branco, Almirante Barroso, Cinelândia, Antônio Carlos, Barão Tefé, Antônio Laje, Harmonia, Pedro Ernesto, Cidade do Samba 2, Praça Santo Cristo, Equador
Linha 2: Central, América, Vila Olímpica, Santo Cristo, Cidade do Samba 1, Silvino Montenegro, Rodrigues Alves, Praça Mauá, Barão de Tefé, Antônio Laje, Harmonia, Pedro Ernesto, Cidade do Samba 2
Linha 3: Central, Duque de Caxias, Saara, Constituição, Praça da República, Praça Tiradentes, Carioca, Carmo, Barcas, Santos Dumont
Linha 4: Central, Duque de Caxias, Itamaraty, Camerino, Santa Rita, Candelária, Buenos Aires, Sete de Setembro, Rio Branco, Almirante Barroso, Cinelândia
Linha 5: Rodoviária, Vila de Mídia, Barão de Mauá, São Diogo, Nabuco de Freitas, América, Central
Linha 6: Rodoviária, Vila de Mídia, Barão de Mauá, São Diogo, Nabuco de Freitas, América, Vila Olímpica, Santo Cristo, Cidade do Samba 1, Silvino Montenegro, Rodrigues Alves, Praça Mauá, Barão de Tefé, Antônio Laje, Harmonia, Pedro Ernesto, Cidade do Samba 2
Texto: Juliana Romar, Prefeitura do Rio

PEDALADAS DO CAMINHO

Zé Lobo, presidente da Ong Transporte Ativo, chega ao local da entrevista de bicicleta
Maior integração dos meios de transporte. Esta é a ideia do novo sistema viário da Região Portuária, que tem como principal objetivo dar prioridade ao pedestre, oferecendo transporte público de qualidade, e melhorar as condições para sua mobilidade. As mudanças incluem a implementação dos Veículos Leves sobre Trilhos, a integração com o BRT (Bus Rapid Transport) - que diminuirá a circulação de ônibus na área -, a criação e a ampliação de vias, além da construção de 17Km de ciclovias na Região Portuária.
Mapa cicloviário da Região Portuária
Presidente da Ong Transporte Ativo, criada em 2003 com o objetivo de fomentar o diálogo sobre veículos alternativos entre a população e o poder público, o programador visual Zé Lobo diz que, nos últimos anos, cresceu o número de pessoas que usam a bicicleta no dia a dia. Segundo Lobo, esse acréscimo se deve justamente à saturação no trânsito dos veículos motorizados. Ele garante que a bicicleta é o melhor meio para percorrer pequenas e médias distâncias. "Se conseguirmos integrá-la ao ônibus, VLT, BRT, metrô e trens, essa área tende a se expandir. Ela atende muito bem a distâncias de 3 a 4 km", defende Lobo. "Quando a população tiver acesso a essa integração e a um sistema eficiente de ciclovias, vai preferir ir de bicicleta a ficar parada no trânsito."
Lobo vive o que prega - sempre que pode, opta pela bicicleta. Para chegar ao local da entrevista, no Largo de São Francisco da Prainha, ele, que mora em Copacabana, optou por percorrer o trajeto de bicicleta e metrô. De acordo com o documento "Ciclistas e o Código de Trânsito Brasileiro", Bíblia dos amantes das bikes, eles já podem andar nas ruas com preferência sobre os motorizados. Porém, sobram relatos de acidentes causados por carros e ônibus que não respeitam as bicicletas. Para quem se arrisca em meio aos veículos motorizados, as dificuldades são inúmeras. "Uma delas é a falta de bicicletários. O maior problema, no entanto, é mesmo a falta de educação dos motoristas. Todos se acham donos da rua. Temos que investir em campanhas de educação e respeito no trânsito", pondera Lobo.
Em outras cidades do mundo, como Londres e Amsterdam, já existe grande ligação dos outros meios de transportes com as ciclovias. Ano passado, nos Estados Unidos, pela primeira vez houve redução no número de carteiras de motorista emitidas. Zé Lobo ressalta ainda que a construção de ciclovias deve ser feita em partes. "A ideia é integrar primeiro uma região, por exemplo, a do Porto Maravilha. Essas ciclovias devem atender às demandas da população local", diz. Ele acredita que se cada bairro for alimentado com uma rede bem distribuída de ciclovia, a integração das ciclorotas seria mais eficaz. "Esses pequenos grupos são muito mais importantes do que um plano geral para toda a cidade."
Texto e foto: Mariana Aimée
Mapa: divulgação portomaravilha.com.br



MOBILIDADE URBANA: 
BINÁRIO DO PORTO

Projeção da saída da Via Binário do Porto próxima ao Moinho Fluminense
O novo complexo de vias e túneis que servirá de alternativa ao Elevado da Perimetral começa a mudar o cenário da Região Portuária. A Via Binário do Porto, em um sentido, fará a ligação da Rodoviária Novo Rio à Avenida Rio Branco. No outro sentido, o trajeto parte da Rua Primeiro de Março em direção às Alças do Viaduto do Gasômetro. O sistema, com 3,5 Km de extensão, paralelo à Avenida Rodrigues Alves, terá três faixas por sentido e várias saídas para a distribuição interna do trânsito.
Hoje, trechos do sistema já estão em funcionamento, como a Avenida Venezuela e parte da Rua da Gamboa. Todas as ruas de superfície da Via Binário do Porto serão liberadas ao tráfego no segundo semestre. Isso representa 80% da via incorporados ao conjunto de ruas voltadas ao trânsito. Após julho, a cidade ganha novos caminhos com a operação do Túnel da Saúde, de 80 metros, e as Alças do Gasômetro, próximas à rodoviária, conectando a região à Avenida Brasil e à Ponte Rio-Niterói.
“A Via Binário do Porto complementará o novo sistema de mobilidade na Região Portuária. Já liberamos vários trechos de ruas que antes serviam para estacionamento de carros alegóricos e ônibus. Abrimos caminho paralelo à Avenida Rodrigues Alves para a circulação pela área. No meio do ano, entregaremos todas as vias de superfície. Faltará apenas o Túnel do Binário, com previsão de conclusão em julho de 2014”, explica Alberto Silva, diretor-presidente da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp).
Túnel da Saúde
Conclusão: julho de 2013
Próximo à Cidade do Samba e ao lado da futura sede do Banco Central, terá 80 metros, com três pistas em cada sentido e uma galeria para passagem do Veículo Leve Sobre Trilhos.
Obras em uma das galerias do Túnel da Saúde, parte da Via Binário do Porto
Túnel do Binário
Conclusão: julho de 2014
Terá 1.480 metros, com três pistas em direção à rodoviária. Parte da Rua Primeiro de
Março (entrada em frente ao Mosteiro de São Bento) e desemboca entre as ruas Sousa e
Silva e Antônio Lage.
Saída do Túnel do Binário, paralelo à Avenida Rodrigues Alves
Texto: Mariana Aimée
Imagens: divulgação 
Fotos: Clarice Barretto

AVENIDA RODRIGUES ALVES SERÁ VIA EXPRESSA

A operação urbana Porto Maravilha anunciou uma grande modificação no sistema viário da Região Portuária: a demolição do Elevado da Perimetral, a transformação da Avenida Rodrigues Alves em Via Expressa e a construção de uma nova rota, a Via Binário do Porto. A explicação ultrapassa razões estéticas: segue moderna concepção de mobilidade. Quando foi construído, no início dos anos 50, o viaduto que liga o Caju ao Aeroporto Santos Dumont tinha como objetivo servir de alternativa às vias de então - congestionadas e sem condições de ampliação. Também foi a solução de ligação entre as zonas Sul e Norte sem que os veículos passassem pelo centro da cidade. À época, viadutos surgiram como estratégia nas grandes cidades no mundo.
A Avenida Rodrigues Alves será transformada em Via Expressa, parte em túnel, parte na superfície. Ela servirá a quem cruza a área, como rota de passagem. Com a função de ligar o Aterro do Flamengo à Avenida Brasil e Ponte Rio-Niterói, terá 5.050 metros de extensão, com três faixas por sentido. O Túnel da Via Expressa terá 2.570 metros, do atual Mergulhão da Praça XV ao Armazém 7 do Cais do Porto. A parte subterrânea permitirá a transformação do trecho da Praça Mauá ao Armazém 8 em passeio público para circulação de pedestres, ciclistas e Veículo Leves sobre Trilhos (VLT).
Clique no mapa para mais detalhes
Luiz Carlos de Souza Lobo, diretor de operações da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp), empresa da prefeitura responsável pelo Porto Maravilha, explica que a Via Expressa atuará como ligação direta da área da Avenida Brasil ao Aterro do Flamengo: "Ela não terá saídas. Será o meio mais rápido para os motoristas que querem cruzar a região sem acessar as ruas internas". Ele destaca a importância do Túnel da Via Expressa para o novo conceito de mobilidade urbana da Região Portuária.
As obras da Via Expressa tiveram início em outubro de 2012 com a abertura de um poço de serviço entre as ruas Sacadura Cabral e Venezuela, que serve como base para as escavações em duas direções, rumo ao Armazém 8 e à Praça Barão de Ladário, ponto de instalação de outro poço. Da Barão de Ladário, os trabalhos seguem para fazer a ligação com o Mergulhão da Praça VX. O poço de serviço é um recurso adotado na construção de túneis para reduzir impacto sobre o trânsito das cidades. A técnica cria espaço alternativo para a passagem de homens, máquinas e materiais (entrada e saída) a partir da instalação em terrenos e praças, reduzindo a necessidade de interdição de ruas e avenidas.
Poço de serviço em terreno entre as ruas Venezuela e Sacadura Cabral reduz impacto sobre trânsito
Hoje, estudos técnicos comprovam que a remoção da Perimetral é fundamental para melhorar o trânsito na região. E a decisão de demolir viadutos deste porte não é ideia exótica ou sem fundamentação. A Pesquisa Vida e Morte das Autovias Urbanas do Institute for Transportation & Development Policy (ITDP) apurou que 17 cidades dos Estados Unidos, da Europa e de países asiáticos já demoliram seus grandes viadutos.
À direita, poço de serviço do Túnel da Via Expressa. À esquerda, emboque do Túnel do Binário
Em substituição à Perimetral e à Rodrigues Alves, as vias Binário do Porto e Expressa vão acrescentar faixas de rolamento ao novo sistema viário, que ganhará em capacidade. De acordo com Estudo de Tráfego da operação, por onde trafegavam 7.600 veículos por hora em horário de pico, passarão, no novo sistema, 10.500 veículos por hora. Atualmente passam pela Perimetral 4 mil veículos por hora. A nova Via Expressa terá capacidade para 6 mil. Com um número maior de faixas de rolamento, que subirá das oito atuais para 12 até 2016, haverá mais pistas para tráfego de veículos do que se tem hoje.
A transformação de parte da Rodrigues Alves em túnel abre espaço para a construção de um grande passeio público arborizado entre o Armazém 8 e a Praça Mauá, com 44 mil metros quadrados. "Para se ter ideia, corresponde à metade do Parque Madureira. Com isso, nós teremos uma grande faixa de área para convivência, passagem de pedestres e do VLT em uma área da cidade que começa a resgatar tesouros arqueológicos e sua vocação turística e cultural", explica o presidente da Cdurp, Alberto Silva.

Um comentário:

  1. EU FICAVA COM O PERIMETRAL COMO VIA EXPRESSO E AS VIAS BINARIO IE COMPLEMENTAR A VIA EXPRESSO

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