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quarta-feira, 8 de maio de 2013

Praia do Peixe/ Praça XV

Quarta, 24 Outubro 2012 11:47

O Velho Mercado

Durante milhares de anos, e ainda hoje em muitos países do mundo, o mercado continua sendo o centro da vida
 da maioria das cidades, onde se obtém todo tipo de gênero, desde alimentos até utensílios domésticos, roupa,
e tudo o mais. Em vários centros africanos, as feiras ao ar livre em sua grande agitação transformam-se no
 turbilhão das trocas sociais, pelo menos para a maioria, como genuíno motor da economia, distante
da tradicional corrupção das elites desse continente.
Esse acontecimento, o mercado, que pode ser diário, semanal ou com outra freqüência, também esteve presente
por séculos no Rio de Janeiro, práticamente desde sua fundação, e mais particularmente a partir do momento
em que a cidade começou a se expandir na várzea que ia desde o Castelo até São Bento, no início do século XVII.

velho_mercado

O velho mercado de Grandjean de Montigny na Praça XV no início do século passado.

No centro estão os pavilhões metálicos junto à rampa onde os barcos descarregavam.
O chafariz  à esquerda foi colocado no lugar do Monroe, na Cinelândia, também destruído.
Já em 1636, a Câmara havia delimitado uma área onde os pescadores poderiam vender suas mercadorias, entre
 a Praça XV e a atual Rua da Alfândega, no trecho chamado de Praia do Peixe. A região tornou-se o centro comercial,
com a presença de vendedores com todo tipo de hortaliças, vindas por mar de vários pontos do litoral da baía de
Guanabara. As pobres e sujas barracas continuaram abastecendo a cidade por quase dois séculos, com a única
mudança ocorrendo durante o governo do vice-rei D. Luís de Vasconcellos, que aproveitou a reforma feita no Largo
do Paço (Praça XV), com calçamento e mudança do chafariz, para melhorar a situação das barracas de venda de peixe,
 dando alguma organização ao caos reinante.
Para a época colonial, tal situação era completamente satisfatória, mas após a chegada da Côrte, em 1808, tornou-se
cada vez mais incômoda. Após a Independência, e já no segundo Império, tornou-se intolerável. A presença
 dessa confusão e imundície no centro da capital era incompatível com as aspirações de progresso e auto-estima da
sociedade da época. Algo precisava ser feito.
Em 1834, a Câmara resolve construir um novo mercado, e entrega o projeto aos cuidados de Grandjean de
Montigny, arquiteto francês que veio ao Brasil na Missão Artística Francesa de 1816. A planta feita pelo mestre
mostrava um edifício quadrangular de dois andares com quatro entradas, uma delas pelo Largo do Paço. O projeto
original incluía dois andares, mas no estágio inicial foi feito sómente o térreo, a parte superior foi adiada. O piso do
mercado era de lajes de pedra, e em seu centro havia um belo chafariz, formado por uma bacia circular e tendo
 uma parte central de onde a água saía pela boca de quatro golfinhos, se projetando a partir daí uma pirâmide
encimada por um ouriço de bronze.

O belo chafariz do mercado, em desenho do século XIX. Desapareceu junto com o prédio.
Os dois trechos que davam para o Largo do Paço foram concluídos em 1835, e o restante em 1841. Em 1869, a
 Câmara decidiu arrendar o mercado a um particular, e dentre as obrigações deste constavam a construção de
 um segundo pavimento sobre os já existentes e mais dois pavilhões de metal entre o mercado e o mar, onde
 os barcos descarregavam os gêneros. Esses pavilhões sofreram incêndios duas vezes, em 1876 e 1899.
chafariz_mercado
No final do século XIX, a Prefeitura optou por novo mercado na Praia D. Manuel, cuja inauguração aconteceu em 
1907, causando, quatro anos depois, a demolição do mercado de Grandjean de Montigny. Hoje, todos dois
 mercados foram destruídos, sendo que nenhum deles conseguiu completar sequer 100 anos de existência.
 Duas obras historicamente importantes que poderiam ter sido conservadas e transformadas em centros comerciais
 e culturais modernos, ainda que conservando sua aparência original, tal como aconteceu em várias cidades 
europeias, onde a valorização do patrimônio e do ambiente urbano é uma constante.
Artigo retirado do site 
http://www.semprerio.com

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