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domingo, 11 de agosto de 2013

Fábrica de gás -Presidente VArgas




Antiga Fábrica de Gás, por Dunlop.

A Antiga fábrica de gás foi construída pelo Barão de Mauá, há dois séculos atrás. Situada no caminho do Aterrado (depois Rua Senador Euzébio, hoje Avenida Presidente Vargas n.º 2610), entre as travessas São João e do Porto (atuais ruas Carmo Neto e Comandante Mauriti), ocupava uma área de 22.012 metros quadrados.

No corpo central do edifício ficavam os escritórios, a oficina de modeladores, o depósito de metros, e aparelhos para exame dos registros do combustível, o laboratório e a câmara escura onde se media a força do gás iluminativo por meio de fotômetros do químico alemão Bunsen. Um dos corpos laterais compreendia sete casas com quintais, habitadas pelos funcionários graduados do estabelecimento, que dispunham, para seu conforto e recreação, de biblioteca com sala de leitura, botica bem provida, tanques para banho e um espaçoso jardim. O outro corpo lateral do edifício era ocupado pelos aparelhos purificadores do gás. Os acendedores de lampiões residiam em comum em um vasto salão, ocupando outro de igual extensão os escravos da empresa.

Na parte superior da fachada do corpo central do edifício lia-se a seguinte inscrição latina: “Ex-fumo dare lucem” (Do fumo, a luz). À noite, o estabelecimento era vigiado por guardas postados em guaritas.

Os acendedores e foguistas vestiam uniforme, que constava de calça branca ou azul, blusão azul com colarinho à marinheiro e chapéu de couro envernizado com o rótulo “Fábrica do Gás”.

No pátio interno, estacionavam três bombas para apagar incêndio, as quais estavam sempre prontas, havendo três depósitos d’água constantemente cheios, por ser deficiente a água dos chafarizes vizinhos para alimentar essas bombas por mais de 10 minutos. Todos os empregados que residiam na fábrica eram obrigados a trabalhar com as bombas, havendo exercício aos sábados, o que não somente os tornava peritos e adestrados no serviço, senão fazia reconhecer o estado normal dos aparelhos para extinção do fogo. Eram multados os empregados remissos e examinados diariamente os depósitos e registros d’água.
A Fábrica do Aterrado foi um dos estabelecimentos mais importantes da Capital do Império, muito superior às de várias cidades da Europa e pouco inferior às maiores fábricas de gás do mundo.

Em 1870, assim se expressava o Inspetor da Iluminação: “A cidade do Rio de Janeiro se ilumina por meio do gás vai para dezoito anos e, sem dúvida, a este importante melhoramento tinha direito a maior cidade da América Meridional. A substituição da iluminação a azeite de baleia por gás foi, pois, um fato natural e necessário, à vista da importância desta Capital, podendo-se apenas estranhar que houvesse tardado a realizar-se. É boa, incontestavelmente, a iluminação do Rio de Janeiro e muitos viajantes a consideram como uma das melhores do mundo”.

O “Gás Velho”, como é hoje conhecido o vetusto edifício, recebeu duas vezes a honrosa visita do Imperador Dom Pedro II: em 22 de janeiro de 1856, pouco depois da inauguração da iluminação a gás do Rio de Janeiro, e no dia 13 de setembro de 1886, duas semanas após ter esse serviço passado da antiga “Rio de Janeiro Gas Company Ltd.” para a “Société Anonyme du Gaz”.

A gravura de P. G. Bertichem é de 1856, anterior, portanto, à construção do Canal do Mangue, cujas obras tiveram início em 21 de janeiro de 1857,e posterior ao relógio de quatro faces instalado em 1855 no torreão do edifício. Este relógio, após o incêndio na noite de 6 de abril de 1889, foi substituído pelo que ainda hoje lá se encontra, marcando triste e carinhosamente as horas para os habitantes desta cidade.

Nome do artista: Pieter Gottfried Bertichem.
Ano da Gravura:1856. Fonte: Rememoarte
Endereço: Av. Presidente Vargas, 2.610.

FONTE NA ÍNTEGRA: https://www.facebook.com/EspecialRioAntigo

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